segunda-feira, agosto 08, 2005

necessary evil

Este era o nome do avião, que junto com o Enola Gay e The Great Artiste partiu para a cidade de Horoshima em 6 de Agosto de 1945.

Não sei se foi intencional, mas é uma ironia do destino que tal avião, que foi o responsável por tirar as fotos da missão, tenha participado desse evento que, em minha opinião foi de fato um mal necessário.

Com as "comemorações" dos 60 anos da queda da bomba em Hiroshima, acabei pensando mais no assunto do que de costume. Todos são contra o uso de armas nucleares e tudo o mais, e eu me incluo entre eles. Mas a guerra no pacífico foi em uma outra época, e carregava outro peso.

É fácil apontar o dedo aos EUA e xingá-lo por resolver destruir duas cidades em um estalo de dedos (sendo que na verdade havia mais cidades na "lista negra", embora Tokyo e Kyoto estivessem de fora). Mas não imagino que tenha sido uma decisão fácil.

Guerra é guerra, e independente do motivo pelo qual se está nela, queremos vencer. O fato é que o Japão realmente não estava lutando por uma causa justa; como a Alemanha, queria anexar novos territórios, e se livrar de pessoas indesejadas (como koreanos e chineses); e ele de fato começou a guerra (não vou começar outro papo polêmico incluindo Pearl Harbour aqui).

Mas o que sempre eu quis saber a respeito da segunda guerra é como o povo alemão vivia e pensava. Como será que eles lidavam com aquela idéia colocada pelos seus governantes? Eles concordavam de fato? Como era o dia a dia da guerra? E a mesma dúvida pairava sobre mim quanto ao Japão. O que ajudou a sanar isso foi justamante Gen (cuja segunda parte li recentemente). A guerra no Japão foi uma decisão arbitraria, militar e imperial, o povo pouco ou nada podia fazer a respeito. Na verdade, a guerra custou muito ao povo japones, que seguia e venerava cegamente seu imperador e quem ousava questioná-lo sofria graves conseqüências, um panorama que compreendi graças à primeira parte de Gen, que lida com os dias antecedentes à queda da bomba.

A segunda parte, que mostra o dia seguinte, é ainda mais triste do que a primeira. Vemos o desespero e desolação da cidade depois de um ataque mosntruoso sobre o qual não houve aviso e mal se entendia.

Mas o Japão já estava perdendo a guerra, e ia com certeza perdâ-la. Não havia maneiras de sobreviver na frente russa e americana simultaneamente, e uma invasão da ilha acabaria em mais derramamento de sangue. Os militares não estavam interessados em um Japão melhor ou no bem estar da população, eles seguiam cegamente o bushido (caminho do guerreiro) e não queriam entregar a guerra; colocando inclusive uma perspectiva otimista demais no caso de uma invasão.

O fato é que mesmo com algum movimento civil pedindo o fim da guerra, o Japão não iria recuar até que o último homem estivesse em pé. Então os EUA decidiu dar um chega pra lá atômico e mostrar que eles tinham a maneira definitiva de acabar com a guerra, e que ela não seria bonita.

Claro que podemos pensar "e se", talves uma invasão não tivesse as mesmas conseqüências desastrosas que as bombas (sendo a mais visível dela os efeitos de envenenamento radioativo). Mas a vida, e a guerra não são feitas disso, são decisões absurdas e calculadas. Vendo um outro documentário, sobre Robert McNamara, vi sua participação em calculos de eficiência nos bombardeios sobre o Japão, a precisão dos números eram assustadoras, e na verdade os bombardeios convencionais e incendiários mataram muito mais gente que as duas bombas. A grande diferença é que sem as explosões, o conflito se arrastaria ainda mais, desgastando um povo já sofrido.

A bomba não é bonita, mas nem era a situação interna do Japão. E hoje ele é um exemplo, sendo o único país a sofrer esse tipo de ataque, ele deu a volta por cima, voltou o orgulho nacional para dentro de si para se reerguer e coloca em perspectiva os resultados da guerra como uma maneira de ver o futuro que não quer para si.


RESET

3 comentários:

usrejects disse...

Não é bem por aí...
Essa é a justificativa dada pelos americanos pela atrocidade que eles cometeram. Sim, é fácil apontar o dedo nos americanos e dizer o que quer que seja.
Porém, mais fácil ainda é engolir a versão dos vencedores. É sabido que quem vence escreve a história, e nesse caso não é diferente. Ora, caso a Alemanha tivesse vencido a guerra, duvido que não houvesse quem diria que os campos de extermínio foram um "mal necessário" (argh).
Quanto mais tempo passa, mais e mais indícios aparecem (inclusive levantados por pesquisadores americanos) de que a verdadeira intenção dos americanos era mostrar seu poderio à URSS, que estava *invadindo e rendendo o Japão*. Serviu ao mesmo tempo para manter o comunismo fora do Japão (o que em muito interessava aos EUA, por razões óbvias) e para assustar os "vermelhos", mostrando que eles podiam fazer bombas assim tão horríveis - e mais de uma em pouco tempo!
Ao meu ver, foi um ato covarde e nojento, e só não condenamos ele tanto quanto o Holocausto pelo fato do bombardeio ter sido feito pelos "mocinhos".
É preciso ter cuidado ao dizer que foi um "mal necessário", principalmente porque ainda existem muitas questões sem resposta do lamentável evento. A questão está longe de ser respondida totalmente.
De qualquer forma, não aceito de modo algum essa teoria do mal necessário. Coloco-a na mesma pilha das teorias revisionistas (aquelas que dizem que não foram 6 milhões de judeus mortos nos campos, e que foi "sem querer").
As malditas bombas nucleares foram dois dos mais desprezíveis, nojentos e covardes atos militares de todos os tempos. Nem se compara ao bombardeio da BASE MILITAR (bem diferente de uma CIDADE) de Pearl Harbor (mesmo que este tenha sido outra coisa lamentável).

usrejects disse...

Eu SABIA que tinha lido algo sobre isso recentemente.
http://www.newscientist.com/article.ns?id=dn7706
Ou seja, existem estudos sérios que apontam para isso tudo que eu disse aí em cima, não é só delírio de um louco rebelde paranóico.
Não é como uma teoria de que Elvis seria um alienígena! ;)

Mi, de Camila disse...

Não há NADA nesse mundo que justifique o lançamento da bomba atômica em civis. NADA.

Sim, era uma outra guerra e uma outra época, mas seus próprios argumentos mostram que NÃO era uma guerra do povo, eles NÃO tinham nada a ver com isso.

MAL NECESSÁRIO é a dor da agulha antes da injeção, não a TORTURA pela qual o povo japonês foi submetido.

Com a invasão, a luta teria se tornado pessoal, cada qual poderia se defender de próprio punho. A bomba atômica é uma arma COVARDE. E não só pelo genocídio, mas pelos efeitos colaterais ainda não compreendidos em totalidade.

Com certeza você pensa assim porque ainda não se pôs lá dentro, vendo toda a sua vida dizimada em poeira e queimaduras, sem nenhum tipo de assistência, com toda a sua história, seu passado, seu futuro, tudo comido, tudo desaparecido em questão de segundos...


Você tem noção que a MINHA família é de Hiroshima, Mafra?! De que meus bisavós nasceram naquela terra que nunca mais foi a mesma?

Estou ofendida.