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terça-feira, janeiro 22, 2008

tecnologia a favor do desperdício

Desde pequeno fui ensinado a fechar a torneira enquanto escovo os dentes, e conforme cresci, lavar o rosto e fazer a barba. Ao mesmo tempo, aperto o botão do elevador apenas em uma direção: a que me interessa ir.

Aliás, isso é algo que poucas pessoas parecem compreender. O elevador sabe onde ele está, e sabe de onde o estão chamando. Não sabe apenas para onde você quer ir. E ele irá buscá-lo quando estiver indo na mesma direção para onde você vai, assim economizando energia. Ou seja, se você vai ao 5º andar, o elevador está no 20º, e você no primeiro; não precisa apertar para baixo para ele descer, ele sabe que o térreo é para baixo, aperte para cima, pois é pra onde vamos. Já até saí no tapa com minha irmã por isso.

Dito isso, recentemente meu prédio instalou displays de andar em todos os andares. Assim você sabe qual dos elevadores está mais próximo e pode chamar apenas o que está mais próximo, assim economizando energia. Entretanto, esse simples conceito ainda não foi captado por todos do meu condomínio, já que muitos continuam chamando dois elevadores, a ponto de papel ter que ser gasto pedindo para que não se faça mais isso.

Enquanto isso, em uma determinada agência em que estou temporariamente, o mictório possui detectores de pinto para dar descarga automaticamente, e a torneira é daquelas de botão. Mas hoje mesmo testemunhei um sujeito já possuidor de cabelos brancos, segurando o botão da torneira enquanto escovava os dentes.

Moral da história: Não há tecnologia que barre o desperdício por ignorância.

terça-feira, dezembro 04, 2007

reuni



Submarino, ensinando o bom português às nossas crianças.

segunda-feira, outubro 08, 2007

os puros

Já devo ter mencionado aqui uma vez que minha prima me chamou de certinho pelo fato d'eu não compartilhar o expresso familiar do fumacê, o que me deixou extremamente nervoso e quase fisicamente violento; mas em seguida um primo me falou uma das coisas mais legais que já ouvi a meu próprio respeito.

Pois bem, nesse fim de semana ouvi tal julgamento de alguém que encontrei apenas duas vezes por não mais que duas horas de tempo somado. Esse tipo de julgamento rápido para mim é um indicativo de limitação intelectual, cuja "lógica" de pensamento só posso atribuir ao fato de que uso óculos.

Houve uma época em que esse tipo de coisa me balançaria, pois é justamente o que não quero ser - não que eu seja o rei da contravenção também - mas ficar enumerando os motivos pelos quais eu seria ou não certinho seria um exercício de futilidade e aos olhos de Schopenhauer um erro crasso. O tempo de ficar nervoso com esse tipo de coisa foi-se, e obviamente o de ficar surpreso também. É apenas decepcionante. Ao invés de se preocuparem em conversar e descobrir coisas interessantes em comum ou assuntos inflamatórios para debater e ficar merecidamente nervoso, alguém decide simplesmente cuspir um julgamento aleatório que só pode criar bloqueios sociais e levar a mais erros de julgamento.

Mas me fez pensar: Afinal o que é ser certinho? Achar que o mundo é podre e que tudo está do avesso ou se conformar com tudo o que aparece e só se preocupar em garantir o seu? É transar com inúmeras pessoas ou ficar em casa vendo pornografia animal? É fumar camel e beber vodka ou fumar haxixe e beber chá de cogumelo? É passar o Carnaval em Salvador ou fugir para Buenos Aires?

Não há respostas claras. As convenções somos nós mesmos que criamos, o que parece certinho para mim pode não ser certinho para os outros. Vamos pensar em termos mais abstratos: Qual o oposto de certinho? Erradinho? Malzinho? Se apenas eu tivesse um bom dicionário de antônimos...

Especulo que a maioria goste de pensar que é uma pessoa boa. Assim, o básico: faz o bem para si, para os que estão à sua volta e para o mundo (a doce ilusão global). Isso não seria o mesmo que ser certinho? Todos que pensam assim na verdade são certinhos, mas não querem admitir, provavelmente porque os malvados se vestem melhor nos filmes.

"Tudo é puro para os puros"
Apóstolo São Paulo, Epístola a Tito, I, 15.

quarta-feira, setembro 05, 2007

o apressado paga caro


Hoje vou falar sobre o iPhone. Ou quase. Vou basicamente dizer que ele tem 8GB de memória interna custando US$400 (na Apple Store).E para comprá-lo é preciso fazer um contrato com a AT&T de dois anos; como o telefone é selado você não pode simplesmente trocar o chip pelo de outra operadora. Além disso todas suas funções são bloqueadas por software até que o telefone seja ativado pela operadora (embora já tenham encontrado métodos de burlar isso e usar o telefone como um PDA/iPod multitouch).

Ou seja, se você mora em um país como o Brasil, o máximo que pode fazer com seu iPhone é usá-lo como iPod de luxo, gastando no mínimo 400 dólares e mais umas contas da AT&T para isso.

Hoje saiu o novo iPod touch - tocador multimedia multitouch com funções de PDA e Wi-Fi. É basicamente um iPhone sem as funções de telefone, em versões de 8GB e 16GB, a partir de US$299.

Isso explica porque a Apple não reclamou quando desbloquearam os iPhones mundo afora. Mais grana no bolso deles, e ainda aposto que uma boa parte dos que fizeram essa manobra iPhone também vai comprar um iPod touch. Parabéns aos apressadinhos.