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sábado, março 01, 2008

campo minado

Bom, irei aqui caminhar em campo minado. Vou me aproximar do blog do Bruno e falar um pouco sobre o Oriente Médio. O assunto é complexo, tenho olhado para ele com mais atenção recentemente e possivelmente falarei um monte de merda.

Acabo de retornar de uma seção do filme Jogos do Poder, que trata da ajuda secreta dada pelos EUA aos afegãos durante os anos 80 para expulsarem os soviéticos de lá. Era a Guerra Fria, os EUA ainda estavam com ressaca do Vietna e não estavam muito afim de ajudar. Eventualmente a ajuda chegou e a persistência dos Mujahideen combinada com as armas que receberam levou ao fim do conflito.

O filme é interessante, mas não é um feito cinematográfico. Demora para se tornar realmente interessante e não possui momentos de brilhantismo, fora que a mistura de imagens de arquivo dá um toque amador ao pacote. A história vale a pena ser vista, mas certamente podia receber um tratamento melhor.

Questões filosóficas sobre comunismo de lado, o fato é que a URSS estava ocupando e massacrando o povo do Afeganistão. O mérito de tirá-los de lá não cabe apenas ao EUA, mas também a uma coalizão que incluia surpreendentemente Egito, Arábia Saudita, Paquistão e (pasmem) Israel. Israel se juntar aos EUA pra quebrar o pau de algum vizinho não é novidade, mas junto com outros vizinhos, isso sim é surpreendente.

Quando esse tipo de conflito surge, me lembra os tempos da II guerra, quando parecia fazer sentido lutar. Alguém estava fazendo o que não devia, invadindo o país dos outros, outros países então tomavam a atitude de arrasar o quarteirão.

O problema é que estado-unidenses estúpidos enxergam esse tipo de intervenção bem-sucedida do passado como uma justificativa para qualquer intervenção subseqüente, incluindo a Guerra do Iraque e a palhaçada atual no Afeganistão.

O que os EUA não parecem compreender, sendo um país que nunca foi invadido (corrigam-me por favor) é que um povo invadido não vai ficar sentado sem fazer nada. Eles irão lutar com o que tiverem para expulsar seus invasores. E se tiverem ajuda, essa ajuda será bem-recebida. É por isso que a intervenção nos anos 80 deu certo. Os EUA não eram a força invasora, simples assim.

Agora, grupos extremistas (que já não gostavam muito dos EUA) enxergam a presença estado-unidense como uma ofensa (para dizer pouco) e é por isso que temos aquele samba do criolo doido na terra do ouro negro.

E o desfecho, que é mencionado no filme, é que depois de todo o trabalho, seja removendo os soviéticos ou Saddam, o lugar continua em frangalhos. E ao contrário do que aconteceu na II Guerra com a Alemanha e o Japão o esforço para reconstruir o país é ínfimo, mal-administrado ou simplesmente inexistente.

Assim o ganho real é nulo. As vidas perdidas e bilhões gastos são em troco de nada. Ao menos para o país ocupado...

Para mais sobre ocupações, valor de vidas e etcetera deixo vocês com George Galloway:

terça-feira, fevereiro 12, 2008

nerds pra que te quero


Na Folha de hoje saiu uma matéria tratando da nossa queria CampusParty. Havia as informações básicas de sempre, inclusive considerando baixo o número de mulheres presentes (cerca de 20% - que foi considerado alto pelos organizadores espanhóis) - na minha opinião, o número pode sempre ser maior.

De qualquer maneira, na reportagem o evento era chamado de festa nerd. Foi assim também que um amigo a classificou quando descrevi, e é como muitos se referem à Campus Party afinal. Hoje cedo mesmo minha irmã comentou "puta coisa de nerd isso".

E é verdade. É super nerd mesmo (ou geek se preferir, o debate sobre a diferença dos dois termos continua). Li em algum lugar, e agora vou pedir perdão pois não lembro se foi na Folha, que mal havia conversa entre os participantes, todos ficavam se comunicando exclusivamente pelos computadores - Fiquei revoltado, uma mentira deslavada, ontem, na área do CampusBlog todos estavam interagindo fisicamente (interprete como quiser). Já hoje, quando circulei mais e mudei de lugar percebi que realmente há muitas áreas em que a interação fisica é deficiente.

Isso me entristesce um pouco, já que acredito que o propósito de pagar 100 reais, se deslocar, ficar dias dormindo numa barraca e (talvez) tomando banho em um banheiro coletivo é fazer algo diferente daquilo se faz em casa. No momento testemunho de longe a grande movimentação no BarCamp e no CampusBlog, enquanto que por razões contratuais tenho que ficar nessa inexpressiva área de Criatividade.

Voltando aos nerds, hoje estão circulando pelo Campus alguns agentes do Jornal de Debates com camisetas dizendo "Para que serve um nerd?" justamente para dar uma chacoalhada no ego dos presentes. Para tirar a foto que vocês vêem aqui paguei com um depoimento para o site respondendo à pergunta (e burramente não divulguei o blog na mesma).

Na minha opinião os nerds servem para levar o mundo adiante. Ou quase. No fundo mesmo nerds são pessoas dedicadas, quando escolhem um assunto eles se entregam de corpo e alma. Esquecem convenções pequenas e vão até onde quiserem. É assim que pessoas ficam horas na fila para o ingresso de um jogo, dias acampados para um show, e uma semana acamapados com seus computadores.

Claro que há um elemento de ridículo nessas situações, mas ao se entregar o nerd escolhe dois caminhos: Percebe o ridículo e o inclui na diversão ou cria uma racionalização paranóica e leva tudo a sério. Gosto de pensar que me enquadro na primeira opção (hoje em dia, ao menos). O nerd se comporta como uma criança quando o assunto é o seu eleito, e muitas vezes aje de acordo.

Se entregando dessa maneira é que ele é capaz de levar algo ao seu máximo potencial, de fato impulsionando o mundo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

rejeição, uma arte

Estive pensando nesse assunto recentemente. Sofri o meu punhado delas e distribui algumas migalhas também. Das mais recentes, direi com orgulho que encarei bem, só uma ou outra tiveram um toque amargo mas sei que o resultado final foi para a melhor pois não era nada extremamente valioso.

Em contrapartida, não posso medir o impacto de minhas migalhas. Seria muita presunção achar que causei ondas de choque irrefreáveis e muito derrotista acreditar que sequer serei lembrado (calorosamente, por favor!).

Rejeitar é uma arte. Que ninguém domina. Tendo dito isso, é sempre importante lembrar que existem valores relativos e absolutos na vida. E o que você pensa de si mesmo costuma ser absoluto. Por mais que os outros digam o quanto você é isso ou aquilo, em sua cabeça o que pesa mais sempre é o que você pensa de si mesmo; e com isso em mente acaba projetando esses valores aos outros (tanto os referentes à você quanto os referentes aos outros).

Todos gostamos de coisas diferentes, sejam livros, filmes, carros ou pessoas. E esse tipo de diferença ajuda a moldar personalidades e priorizar vontades, objetivos e necessidades. Essa coisa toda que acaba pesando bastante quando queremos passar tempo com uma pessoa. Não necessariamente buscamos os mais parecidos, nem aquela merda de "os opostos se atraem"; procuramos sempre aqueles que nos deixam mais a vontade para sermos nós mesmos; voltando à questão do valor absoluto - buscamos o conforto de expressar nossos valores absolutos sobre tudo.

Se você não se sente confortável para ser absoluto com alguém, pode apostar que o oposto é valido. O resultado será dois inrustidos.

Entretanto, alguns tem mais noção de seus absolutos do que outros e/ou percebem o absoluto alheio mais rápido, e assim querem pular fora mais rápido (homens são mestres nisso). E é aí que entra a arte da rejeição, e o problema de encará-la bem.

Ao invés de relativizar os absolutos, o rejeitado costuma interpretar a rejeição como um ataque direto à sua pessoa. Não considera a simples e inofensiva incompatibilidade e todos os tons de cinza que ela carrega. Enxerga apenas em preto e branco o grande não que acaba de levar. Assim absorve aquilo como uma crítica direta à sua pessoa, como se ela fosse uma pessoa ruim, tosca, mal-feita e que nunca ninguém vai querer.

Não é bem assim, é uma questão de falta de equilibrio. Ser rejeitado não significa que você é um lixo, significa que apenas não é a sua vez. É uma questão de preferência, não de utilidade. Alguém do nosso tamanho eventualmente chegará.

Por favor, não estou tentando simplificar a questão. Estou querendo apresentar uma interpretação possível, ao menos é assim que eu encaro de maneira geral. Claro que já conheci demônios de carne e osso que não valiam um aceno, e esses vão queimar no inferno; e são geralmente os mais sem noção. Cada um sabe de verdade o quanto vale, e nem todos podem pagar nosso preço.

OBS: Preciso começar a escrever auto-ajuda.
OBS²: Se você for aquela ruiva gostosa que eu chutei, esse texto não é pra você. Te chutei porque você é uma anta mesmo.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

iDork


Nos últimos dias de 2007 eu andei com minha fabulosa Katrina (um Ka, pra quem não decifrou esse nome super enigmático) paralelamente à uma Porsche a cinquenta quilômetros por hora em uma estrada. Sim, não estou mentindo, e estava a essa velocidade pois meu vidro estava estilhaçado e não queria que ele desmoronasse lançando cacos mortais sobre os ocupantes. Eventualmente a Porsche me deixou para trás em tremendos 70 mk/h. Tenho testemunhas.

Claro que não estou contando isso para me gabar, mas sim para ilustrar uma situação extrema em que uma incrível ferramenta é usada por um completo idiota que não sabe tirar proveito dela. Vemos isso o tempo inteiro: carros caros com motoristas terríveis; computadores velocíssimos nas mãos de operadores de Word ou, para as meninas, belas jóias enterradas em cabelos e maquiagem tenebrosos.

No mercado de trabalho isso também acontece muito. Claro que com o desenvolvimento tão rápido da tecnologia fica difícil explorar ao máximo todas as ferramentas disponíveis, mas ao menos uma ou duas devemos nos dedicar a compreender plenamente, mesmo que para descartar. Um bom profissional de qualquer área não depende de sua ferramenta, ele se vira com o que tem, e mesmo que o resultado saia cru, é possível ver nele a qualidade de alguém dedicado.

Boas ferramentas facilitam o bom trabalho, claro, todos sabemos. Mas se você é um fotógrafo porcaria, não adianta comprar uma câmera melhor. E se seu gosto musical é uma merda, ter um iPod não o deixará mais cool. E é por isso que estou escrevendo isso. Hoje no metrô havia um sujeito que era o típico analista de sistemas dos anos 80, daqueles que trabalha com mainframes em porões empoeirados e não têm discernimento suficiente para usar uma camisa não-xadrez ou colocar a cintura da calça em qualquer lugar que não acima do umbigo.

Ele possuia um iPod, ou ao menos o fone de um. E provavelmente estava ouvindo Enya, Mike Oldfield, Yanni, David Arkenstone ou qualquer coisa horrenda assim. Bom, só pra dizer isso mesmo: Não importa qual embalagem feita pelos outros você dê ao seu gosto ou seu trabalho, ele continuará sendo uma porcaria se você assim o fizer.

É como em Mateus 7:6 - "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas"

sexta-feira, dezembro 28, 2007

join up!


Não há mais romance na guerra

Tive um fim de ano militarístico. Quem me conhece sabe que me interesso por assuntos relacionados à guerras e conflitos em geral, não que eu entenda muito do assunto, e de longe creio que Guerras são a solução para qualquer questão. Mas negar que algumas guerras foram necessárias, e acreditar inocentemente que elas não ajudaram a nos moldar como uma sociedade, isso não faço.

Tendo dito isso, já era um fã de longa data do filme Starship Troopers, sem nunca ter lido o livro. E agora que o li, me tornei um fã de ambos. Para quem não sabe, Starship Troopers é um clássico da ficção científica com uma fortíssima veia militar, e é basicamente um veículo para as idéias políticas e filosóficas de seu autor: Robert A. Heinlein (de Um Estranho Numa Terra Estranha).

A idéia central do universo de STPs é que civis não são cidadãos. Para se tornar um cidadão pleno, com direito à voto e concorrer na política é preciso alistar-se nas forças militares, cumprir um termo básico de serviço e se aposentar (com honras, claro). Um fato importante na organização militar da Federação é que todos lutam. Não há serviços confortáveis em escritório, e para seguir carreira de oficial é preciso estudar muito e lutar ainda mais. Funções burocráticas, de instrução, recrutamento e manutenção são realizadas no tempo "livre", por civis contratados ou soldados incapacitados (a maioria mutilados) que se negam a sair da corporação mesmo com a óbvia dispensa médica.

A teoria por trás dessa aristocracia meritocrática voluntária é que alguém que se alista nas Forças Armadas está disposto a colocar seus interesses pessoais, ou sua própria vida, em segundo plano em relação ao bem comum. Voluntários militares possuíriam uma abnegação natural inexistente naqueles que não têm coragem de lutar. E por conseguinte também seria uma maneira de acabar todas as revoluções. Já que a revolução é resultado de insatisfação com um instinto de lutar, ela jamais aconteceria, pois todos aqueles que têm o instinto de lutar já estão na classe que detém o poder e portanto as ferramentas de mudança sem o uso da violência.

Mas não se engane, em STPs existe plena liberdade de expressão e de ir e vir. Qualquer um pode reclamar a vontade, mas não são todos que podem fazer algo a respeito. Existem outras questões levantadas por Heinlein no livro, como pena capital e como criar seus filhos, mas isso seria uma outra discussão.

Honestamente, não posso dizer que discordo. Já declarei que ao menos no papel, concordo com qualquer forma de governo: Anarquismo, Totalitarismo, Comunismo, Democracia e provavelmente outros que nem conheço. Mas isso, no papel, pois na vida real todas as formas de governo são falhas, em especial uma baseada em dar poder apenas àqueles que detém a força.

E é aí que entra o filme de Starship Troopers. Dirigido pelo mestre Paul Verhoeven (de RoboCop e Vingador do Futuro) ele é em essência uma paródia de tudo aquilo que o livro representa. E o faz com acidez e bom-humor excepcionais.

Vários elementos do livro foram mudados, o que a maioria dos fãs reclamam é a falta da Powered Armor, um ítem importante na história, ignorado pelo filme; mas ela é apenas um elemento high-tech em uma história que lida com questões muito mais profundas, e para a mensagem do filme se tornar clara ela não é necessária, talvez até distraísse do ponto (que tão poucos conseguiram capturar). Embora sua presença no livro seja um marco na história da Ficção Científica, no filme ela seria apenas um gadget numa história sobre conflitos, e não gadgets. No final o filme consegue apontar dedo e dar risada de toda a exarcebação militar presente atualmente nos EUA.

O que conecta-me a outro filme que vi recentemente, Why we Fight, documentário justamente sobre a industria de armas e sua influência em escalar o tamanho e quantidade de conflitos militares no mundo. Basicamente denunciando as indústrias que no "futuro" irão fabricar as Powered Armors. Industrias essas que por tabela enchem os bolsos de contrabandistas de armas, como no outro filme recente, Senhor das Armas.

Com Nicolas Cage e Jared Leto, dirigido por Andrew Niccol (do maravilhoso Gattaca); o filme consegue levar as questões de War on War ao seu extremo dramático, com uma acidez semelhante á de Starship Troopers, mas com um cinisismo ainda maior, já que o narrador é o vilão/herói da história.

E a maneira como a presença militar atua hoje em dia, é basicamente uma máquina de jogar tempo e dinheiro (além de vidas) no lixo, como é possível ver em Soldado Anônimo (de Sam Mendes, que nos trouxe Beleza Americana). Um conflito envolvendo 500.000 tropas em que passa-se mais tempo esquivando-se do tédio do que combatendo o inimigo.

E é exatamente isso que a máquina militar se transformou hoje. Um enorme desfile de gastar recursos que podiam ser melhor empregados simplesmente para defender interesses econômicos atravéz de Intimidação. Onde cada lado fica mostrando o tamanho de seu pinto até que o outro corra de medo de ter seu cu arrombado. Não existe mais defesa de território, liberdade ou ideologias. Os pobres soldados são tão enganados quanto os civis, e não detém poder algum. Robert A. Heinlein estava errado, Dwight D. Eisenhower estava certo.

Agora vou jogar America's Army.

quinta-feira, novembro 29, 2007

the best night of your life?


Jesse kiss, originally uploaded by f_mafra.

Seria um exagero. Mas que foi boa, isso foi. Pra começo de conversa não estava muito animado pra ir, pelos seguintes motivos:

1- Era longe
2 - Não ia nenhum conhecido meu;
3 - Eu ia lá fazer algo que mesmo me achando no direito, outros discordam e eu poderia ser desmascarado como uma fraude; já que não tenho tanta experiência em cobertura assim.
4 - Não tinha certeza se teria que pagar para entrar ou não.
5 - Não conhecia nenhuma das bandas.

Ok, até agora não disse o que eu faria e onde ia. Fui cobrir mais um dia de Motomix, agora no Clash, durante o show do Eagles of Death Metal. Já que se eu não fosse iria ficar em casa de bobeira resolvi arriscar.

E como valeu a pena. Na entrada achei que teria problemas pois o segurança de nada sabia sobre produtora ou overmundo ou o raio que o parta. Mas logo fui socorrido por um dos produtores que estavam no Ibirapuera domingo. E não, não paguei entrada. Inicialmente fiquei zanzando que nem barata tonta, tirando umas fotinhos bestas do lugar.

Enquanto nada acontecia encostei num canto, e foi quando a fotógrafa da Rolling Stone veio trocar uma idéia. Se eu fosse mais tiete teria deixado transparecer, e se fosse mais escroto teria dispensado. Papinho à toa mesmo, coisa de colegas de trabalho. Fiquei surpreso ao saber que ela não conhecia nenhuma das bandas de todo o Motomix, que vergonha!

Com o decorrer da noite virei coleguinha de outros dois fotógrafos, uma delas do omelete, super gente fina que me deu umas diquinhas do ofício. De todas as pessoas que conversei, só esses dois (que não incluem a Rolling Stoner) conheciam o Overmundo.

Não podíamos usar flash nas fotos, e só ficamos no fosso no começo do show. Depois de umas cinco músicas: Expulsos. O motivo é simples: ira da platéia, que eu senti na pele com alguns tapas na minha cabeça. Ainda levei uma baquetada na cabeça, quando o baterista lançou a baqueta; a qual eu dei na mão de uma menina na esperança de suborná-la e conseguir um aliado que evitasse maiores espancamentos.

Acabei por esbarrar com Paulo Castilho, um conhecido da TV Cultura. Fui entrevistado para o Metrópolis, quando descobrir digo quando irá passar. E bem no final ainda esbarrei com outros dois amigos.

Querem saber como foi o show? ANIMAL. Jesse, o líder do Eagles, é um dos maiores showmen que já vi. Em breve a crítica em si. Essa noite mostrou como é bom as vezes fechar os olhos e pular...



UPDATE: O texto já está no Overmundo.

quarta-feira, outubro 10, 2007

sugar, spice and everything nice...

Essa é a receita anglo-saxã para criar a garota perfeita. Mas eu discordo. Na minha opinião só tudo de bom não é o suficiente, é preciso um pouco de malvadeza.

Não digo malvadeza com relação à minha pessoa, à là Femme Fatale, mas uma dose de crueldade e descrença em relação ao mundo, aquele toque de sarcasmo. Da mesma maneira é preciso haver um mix entre realidade e fantasia: saber planejar um plano de aposentadoria (fantasia) e em seguida debater qual o melhor plano para sobreviver à iminente ascenção dos zumbis (realidade).

Basta pegarmos desenhos animados como exemplo: Com quem você se casaria, a Hello Kitty ou a Pucca?

Meninas que se prezem precisam de um pouco de Chemical X.

segunda-feira, outubro 08, 2007

os puros

Já devo ter mencionado aqui uma vez que minha prima me chamou de certinho pelo fato d'eu não compartilhar o expresso familiar do fumacê, o que me deixou extremamente nervoso e quase fisicamente violento; mas em seguida um primo me falou uma das coisas mais legais que já ouvi a meu próprio respeito.

Pois bem, nesse fim de semana ouvi tal julgamento de alguém que encontrei apenas duas vezes por não mais que duas horas de tempo somado. Esse tipo de julgamento rápido para mim é um indicativo de limitação intelectual, cuja "lógica" de pensamento só posso atribuir ao fato de que uso óculos.

Houve uma época em que esse tipo de coisa me balançaria, pois é justamente o que não quero ser - não que eu seja o rei da contravenção também - mas ficar enumerando os motivos pelos quais eu seria ou não certinho seria um exercício de futilidade e aos olhos de Schopenhauer um erro crasso. O tempo de ficar nervoso com esse tipo de coisa foi-se, e obviamente o de ficar surpreso também. É apenas decepcionante. Ao invés de se preocuparem em conversar e descobrir coisas interessantes em comum ou assuntos inflamatórios para debater e ficar merecidamente nervoso, alguém decide simplesmente cuspir um julgamento aleatório que só pode criar bloqueios sociais e levar a mais erros de julgamento.

Mas me fez pensar: Afinal o que é ser certinho? Achar que o mundo é podre e que tudo está do avesso ou se conformar com tudo o que aparece e só se preocupar em garantir o seu? É transar com inúmeras pessoas ou ficar em casa vendo pornografia animal? É fumar camel e beber vodka ou fumar haxixe e beber chá de cogumelo? É passar o Carnaval em Salvador ou fugir para Buenos Aires?

Não há respostas claras. As convenções somos nós mesmos que criamos, o que parece certinho para mim pode não ser certinho para os outros. Vamos pensar em termos mais abstratos: Qual o oposto de certinho? Erradinho? Malzinho? Se apenas eu tivesse um bom dicionário de antônimos...

Especulo que a maioria goste de pensar que é uma pessoa boa. Assim, o básico: faz o bem para si, para os que estão à sua volta e para o mundo (a doce ilusão global). Isso não seria o mesmo que ser certinho? Todos que pensam assim na verdade são certinhos, mas não querem admitir, provavelmente porque os malvados se vestem melhor nos filmes.

"Tudo é puro para os puros"
Apóstolo São Paulo, Epístola a Tito, I, 15.

terça-feira, agosto 07, 2007

da amizade e da inteligência

"Devem-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência", o site Pensador credita esta frase a Oscar Wilde, embora eu não encontre outra fonte confiável para corroborar. Eu usava tal frase em certas ocasiões para justificar algumas companias e desafetos, e se pararmos para pensar ela tem de fato uma lógica louvável.

Mas a longo prazo a verdade é que ter amigos apenas bonitos cansa. A estupidez é banal, nos cerca a todo momento, tanto que sequer a notamos mais. A inteligência se sobressai muito mais, e então ela nos salta aos olhos.

Em uma linha do tempo mais longa, é mais estimulador ter amigos inteligentes, e agradeço muito a sorte que tenho, pois tenho um bom punhado deles.

Quando digo inteligentes, não estou me referindo ao quanto eles sabem sobre determinado assunto, mas sim a capacidade e disposição que têm para desvendar qualquer assunto que lhes interessar.

O Bruno está no estagio final de sua tese, e publicou o início de sua introdução. Confesso que não compreendi completamente, mas acredito que tenha captado a mensagem. Tanto que ousei fazer comentários editoriais gramaticais e de conteúdo, que para minha satisfação pessoal foram levados em consideração. Mesmo eu, um leigo vindo da área da estética (de fato um esteta) que trabalha no ramo da publicidade, tive capacidade de interpretar algo de alto nível acadêmico e me senti capaz de elaborar críticas (além de dúvidas) - algo a se orgulhar.

Assim, o texto cosmológico levou a um pequeno debate entre eu e um amigo da área de programação com parcos conhecimentos no assunto do qual ele se trata. Um debate saudável e produtivo, entre eu e um amigo que como eu, aprecia sentir-se desafiado por mundos inexplorados. Mesmo diante do fracasso do aprendizado, há o deslumbre e a empolgação de desvendar novos mares, e aí está a beleza dos amigos inteligentes, eles não se intimidam pelo fracasso, se deixam levar pela aventura.

Assim, a todos vocês recomendo uma outra citação de Wilde: "Não tenho nada a declarar exceto minha genialidade." (embora haja dúvidas sobre se ele realmente teria dito isso em uma alfândega).

domingo, julho 15, 2007

vox populi, vox dei 2

Um chefe é algo imposto. Você chega em um lugar e ele já está lá esperando, confortavelmente nessa posição, sua predileção para o cargo não é obrigatória.

Já um lider atinge esse título por merecimento. Ele é reconhecido entre a massa pela própria massa, e é elevado à uma posição moral que chefe algum pode derrubar. Aliás, na tentativa de derrubada o chefe vai mesmo é se queimar.

quinta-feira, julho 12, 2007

filosofia sobre o destino

O destino é o que fazemos.
Ou o que nossos amigos nos ajudam a fazer.